quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Poema de Amor 2 (Sonho)


B"H

(yo no buscava nadie y te vi...)




Dormi, descansei em sonho te vi;
dormi, descansei em sonho perdi;
dormi, desesperei em sonho chorei;
dormi... acordei os olhos abri.
Olhei, descansei, ao meu lado te vi.

Poema de Amor I

B"H


Palavras, palavras para que servem?
Palavras pra dizer, bem-dizer, mau-dizer.
Palavras pra escrever, descrever, inscrever
sons nas páginas vermelhas dum coração.
Palavras pra agradar, agraciar, agarrar o livro da fé.
Palavras pra exprimir, pra espremer os olhos na noite escura.
Palavras pra você!
Nenhuma palavra pode significar, não pode.
Palvras cheias de significado próximas a você
vazam sentidos, revezam gemidos;
consulsos de amor.
Palvras ... Palavras pra quê?
Não existem palavras para você.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

CPMF





Não.
Não funciona:
A repartição, a repatriação
a expropriação, a federação.


Não funcionam.
Não funcionam como:
os hospitais, os Uruguais,
os postos da receita federal,
os semáforos da Marechal.


Não! Nem adianta reclamar:
do calor, do fedor,
da dor que sentes na cabeça
que explode como os homens-bomba
de Bagdá e Tel-aviv.


Não, não!
Não vai dar:
pra quebrar seu galho,
pra comparar seu alho,
pra dizer bugalho,
pra ir pro Carvalho
tomar uma caçacha, fiada.


Não, nem em sonho:
Deixar de taxar a comida,
o sorriso e a bebida
nem ao menos deixar
que você pare de pagar
a CPMF.

Azul


Céu mosqueado de teus olhos azuis,
sem nuvens, calmo de anis.
Mar calmo, quente dos brazis.
Sal, magnésio, ternura, tarde.
Azul de Yemanjá
rainha das águas mornas dos teus olhos.
A cor do meu coração.
É o melhor azul do mundo:
o de teu céu, de teu dia,
Azul desta poesia.
Azul mulher dos balcãs
Hungria que nunca vi
Tristeza faceira, blues,
Miles Davis.
Tigre celeste profundo
sem garras. Mas morde,
Arranca' atenção, dilacera
Ao volver-se pra mim.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007




No fundo sabia...
que não podia agüentar.
No fundo sabia...
que podia colapsar.
No fundo jazia sem nada fazer.

No fundo, bem no fundo
onde a luz chega pouca.
No fundo do céu da boca
uma palavra que seca,
pois nunca veio ao mundo.

No fundo dos olhos o brilho opaco.
No fundo da alma lhe falta um pedaço.
No fundo do poço é mais leve o ar.

Tão fundo em si que não pode dizer,
tão fundo na vida, não há o que fazer,
tão fundo no escuro, sufoca o sono.

Assim lá no fundo,
tão fundo em nada
a vida se apaga sem ter solução.

Gotas



O vento sul sopra:
Nuvens crescem na mente
do poeta ... raios, frio, luz...

Caem as letras fracas
A:S::G:O:T:A:S::M:O:L:H:A:M:,:L:I:M:P:A:M.
Luz raio vento brainstorm.

Chove
Enche a mente...
Faz-se lago: a estrofe.
Chove!
Faz-se grande o aguaceiro:
Poema!
Faz-se incontida a emoção,
estoura a represa:
Rio!

Agora a tormenta leva
longe, pro fundo do mar
em dicionário
o delírio... nuvem vai:
Sol!

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Canção Poerrista


Poerrismo é emoção

séria de coração.

Sobe o elevador,

criança corre n'andador

um poeta solta letra

num poema sem canção.


Poendo idéias nos ares

cavando pelos mares

Errando na ilusão.

Luz que brilha lá em baixo

guia a escrita meu penacho

Uma pena de pavão.


-ismo social,

religioso, pessoal.

Pessoa e Drummond

E Camões e Camus

Erraram em versos

acertaram na rima

Num assunto que atina

o flanco do coração.


Poerrismo pra eu

Poerrismo para tu

Poerrismo é comportado

não vai rimar com "çul".

Poerrismo en-cerra a Paz.

Sob




Sob pressão meu continente

foge do mundo e voa pelo ar.

Sob tensão minha pátria

o futuro não quer vislumbrar.

Sub-solo minhas idéias

cavucam, contorcem, saem pelo olhar.

Sub-seqüente ao processo

eles são eleitos pelo muito falar.

Sub-marino adentra o território

do inimigo punir-e-vigiar.

Sub-humano uma esmola

pra quem não pode trabalhar.

Sub-tamente, Cortázar

vem e joga amarelinha.

E sobre tudo isso

um caleidoscópio a girar.


domingo, 7 de outubro de 2007

Via em mim.

O Tempo eleva a Verdade dentre a
Disputa e a Inveja Nicolas Poussin, 1640-2




Estou sozinho
Sinto-me só meu.
Estou num ninho
de arame farpado
Sinto-me ateu.
Nada me consola...
Onde estão todos?
Sigo na marola
Desta fumaça em rolos.


Sou um péssimo poeta
ninguém me lê.
Sou uma péssima pessoa
ninguém me vê.


Mas lá no alto...
um olho, um ouvido, uma voz.
A experiência só minha
É D's que me chama.


Stop! Kaballah e Sufismo
Não estão em meu íntimo
Na verdade não aprendi
a perceber a Vida perto de mim.


sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Agência


Aqui não há lugar...
Tenho as mãos trêmulas,
Um sorriso nos lábios,
Uma lágrima no olho, e,
Um coração frio
Apesar dos trinta graus.

Aqui no templo, o sacerdote serve café preto...
Arquitetura circular:
Da xícara, do prédio, da câmara
Onde dorme o corpo de notas
Da divindade do valor das coisas.

Olho sereno para o círculo do tempo
São dez para as cinco.
O meu sorriso mostra ansiedade
Pelo movimento da fuga para a liberdade
Nascida sem forma
Da boca redonda duma garrafa de cerveja.

Tarde de Sol



No meio da tarde paro
vejo raios caindo no chão
levanto os olhos pro céu, um sol
por trás da pequena nuvem.

Neste momento,
quantos olhos olharam prum sol?
Quantos raios caem do céu?

Não sei.

Meus olhos por trás das lentes de contato
tocam, o Sol, este Sol - meu só -
de onde escorrem raios luminosos
por dentro da nuvem fria
e banham de calor esta tarde.

Este céu este Sol
Tarde nuvem
São bem meus,
só eu os vejo.

domingo, 23 de setembro de 2007

Riso sério



Pessoalmente nem qui'saber
Antes de chorar escolhi rir,
Do erro do outro, o acerto do tempo;
Contradição:
como morto enterrado no vento.

Rir não é assim fácil,
é trágico gargalhar.
Este chorar macio
a dor de mergular
[em si]

Chorar não vale
resseca, oprime...
Rir estravasa, transborda,
me deixa imune.

Pessoalmente prefiro esquecer de mim...
Para crescer, baixando ao fundo do poço
Jovem-menino e sair um moço
que é sério de riso e reflete com olhar.

Paraíso S/A



Do outro lado da vida
o paraíso perdido.
Do outro lado da rua
Tod'aquele sentido
de coisa que deve ser,
mas sempre, nunca é.

Est' avenida longa,
minha risada zonza,
Barracos na margem,
A pobreza e a Globo.
Rio disto e me assombro:
Riqueza, mídia e miséria.

Paraíso na terra,
Grana como capim,
Shopping Center Morumbi.
Consumir sua alma...
Não fechamos. Compre aqui:

Biscoito de chocolate,
garrafa de conhaque,
felicidade a granel,
Amores vagabundos.
O paraíso, hoje,
não está mais no céu.

Uma palavra



Uma pedra é palavra
Uma velha é palavra
Uma cela é palavra
Uma vela é palavra.

O concreto é só concreto
duro, rijo sem se dizer,
mas na ment'o sentimento
em palavra vai viver.

A idade'o tempo
a ruga, o cabelo branco
misturam-se nesta massa
de letras desordenadas.

Liberdade aprsionada
na cabeça do vilão
cerciado por palavras
em barras e paredes, a prisão.

Luz diáfana que foge
pela janela do escritor
vela no escuro por mim
um vidro, ferro esta palavra
que brilha.

Ciência Poética



Microscópio da poesia
olha tudo com avidez
faz objeto - melancolia
traz tudo com lucidez.

Olha's coisas bem de perto
'strututa do concreto
é palavra, é o verbo
frase cadenciada...
em 'spaço mitigado.

Sua mão palavra é
palavras no sopé
da montanha-pensamento
Qu'em palavra se firmou.

O poeta da palavra
pega tudo e bate bem
na rima rica, clara,
ritmo: Um, dois va'e vem.

Faz do mundo um soneto
verso, estrofe, alusão.
Vai a Piza, nu' momento
tem o sol em sua mão.

Realidade possível
verso verde a virar.
Poesi'em plena lavra
Do universo...
Mina de palavras.