Não estou
não sou
não soou
não és
Nada de ninguém
delírios de noite além
não sou
não soou
não és
Nada de ninguém
delírios de noite além
"Ser poeta não é uma ambição minha. É a minha maneira de estar sozinho." Alberto Caeiro
Naturalmente, sem correr, bem de vagar
Meu s braços queriam os seus
Meus olhos os teus olhos
Meus ouvidos tua voz
Foi assim, de repente, eu estava confuso
Desnorteado, articulado, mas mudo
E no fundo meus olhos diziam tudo
O que eu não quis dizer.
Mudo de pensamento, sem lugar
Procuro outro contentamento
Mas minto, pra mim
Minto e nem coro
das coisas que finjo não ver.
Mas, dá-me tua mão,
deixa sentir seu seio.
Mata em minha alma este desejo
De viver um dia em sua linda
Ilusão de ser.