quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Eterno Déjà vu


O que vi ontem voltou hoje;
os caminhos por onde passei são os mesmos
tudo sempre igual.
O mundo, hoje, não vai mal.
Mas o Sol, nasceu mais uma vez
E esse vento no meu rosto de viés
refresca com secura a minha tez.

Este mês
trabelhei duro,
paguei o seguro,
vaguei pelo escuro
das telas claras do computador.

Olhei pra fora
E vi você de cabelos negros,
lambendo os dedos
e querendo amor.

Tudo sempre o mesmo
tudo claro como o breu azul
neste sonho real do meu eterno déjà vu.

Rotina


A rotina corre no trilho parada
vai e vem sempre a mesma.
Erma travessia que ia
que vem e que vai
e cai ressecada
olvidada da vida,
da lida,
desse tempo
que se esvai.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Meu filho.


Quero fazer uma poesia só minha
um corpo de palavras que caminha
Anda pelos corredores das secas goelas
pelas roucas cordas pretas
vocalizadas pelo hálito do amor.
Um filho feito de versos
olhos de estrelas, olhos de luz
No peito universo.
Inverso de si mesmo
igual a um outro
que erra a esmo
e sempre volta
pra se chorar e se desmanchar
em borrão.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Urbe II


A cidade de Anchieta feita a mão, humano viveiro
feito prédio de poesia, vendida na galeria
volta aos Concretos de letras engenheiros.

Bebe gelada a cerveja, embriaga copos ao meio
no grito alto: Gol! Show da massa
Neste erótico conto, branco e vermelho.
E vista de baixo. Cinza sobe a fumaça.

Por uma das lotações e ônibus
Engarrafada a avenida foi cruzada
E foi cruzado o céu pelo Airbus

Nauseada, boca-quente na TV.
Uma cidade encantada, rouca como macho,
na encruzilhada Pinheiros-Tietê.
Foi posto um despacho.

Urbe I


Foi posto um despacho
na encruzilhada Pinheiros-Tietê.
Uma cidade encantada, rouca como macho,
Nauseada, boca-quente na TV.

Foi cruzado o céu pelo Airbus.
Engarrafada a avenida foi cruzada
por uma das lotações e o ônibus.

Vista de baixo. Cinza sobe a fumaça.
Neste erótico conto, branco e vermelho
no grito alto: Gol! Show da massa
bebe gelada a cerveja embriaga copos ao meio.

Volta aos Concretos de letras engenheiros
feito prédio de poesia, vendida na galeria
À cidade de Anchieta feita a mão, humano viveiro.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Construção


Um sorriso pela manhã acordou o dia
Não era homem ou mulher, mas um bebê que sorria
Um olhar de pedido que me via
A mão com carinho descarado a seu pedido cedia
Assim cresce a construção...

O e-mail trocado: “Te amo”, no meio do dia
A mulher velha ajudada agradece a cortesia
Atenção para o amigo cujo relato comovia
Assim cresce a construção...

Cresce, encorpa e floresce
Carrega-se de frutos que gostos apetecem
Maduros os dias, seus frutos descem
À terra caindo perto da madeira
E novas construções fortalecem
Esta é a via e todo o Ser humano.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Em PretoeBranco


Em preto e branco vai a vida
sobe escada e rebola ainda
corre solta na avenida
flutua e fura os faróis.

Em preto e branco calça-e-camisa
garçom na mesa chope descia
padre na missa altar subia
brilham nos céus outros sóis

Em preto e branco festeja a alegria
dura realidade clara fugidia
brindam juntas as amigas bebem alcoóis

Em preto e branco toca piano, marimba ria
cerimônia dança catarse euforia
amor virgem alvo mancha lençóis.

Em preto e branco têm suas crias
crescem crianças correm estes dias
e envelhece a vida.
- Amor, agora, enfim sós!

domingo, 17 de agosto de 2008

Destino


Cada coisa tem seu destino.
O destino do coração, emocionar,
o destino da boca, falar.
Mas como falar o não experimentado?

Cada coisa tem seu destino.
O destino do caminho, guiar,
o destino do pé, caminhar.
Mas como ir onde, ainda, não se sabe?

Cada coisa tem seu destino.
O destino da mão, tocar,
o destino da arte, agradar,
Mas como agradar-se do intangível?

Cada coisa, cada coisinha um destino tem.
O destino do Homem, conhecer,
o destino do mundo, ocultar.
Mas só se conhece o que se sente
o que se fala, o que se experimenta,
onde se vai e o que agrada.
Mas como?

domingo, 10 de agosto de 2008

Sub


Suburbano toca o relógio 6h00 da manhã.
Maçã do rosto apertada no transporte, público, subumano.
A cidade se espalha mancha sub-atômica em baixo da ponte Ser-Hum-mano.
Ano que vem sobre o espaço de aço do prédio de vidro verde como o dólar.
Sobrancelha levantada sob o espanto da notíca, a polícia e o ladrão.
Ninguém é insubstituível na seleção sub-vinte da empresa.
Almoço, sempre o mesmo gosto de meio-dia todo bife, salada, arroz-e-feijão.
A noite veio e com ela o subterfúgio para a fuga,
crua e nua para correr. O que fazer ao sábado?
São brasileiros atarefados, subitamente ameaçados...
Porque a vida suspirou.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Meu coração.


Frio no peito
geléia-real da ciência
acaricia o externo
a procura da fibra
que vibra 120 vezes por minuto.
Desfibrila 220 joules... um luto.

O Eco na tela figura pretoebranca.
A imagem é de eco e nem um resto
da coisa imaginada surge.
Ruge, e urge, e pulsa disforme.
Contraste, brilho, cinza.

-Onde está?

Não encontro a emoção,
nada de sentimento.
E neste momento...

-Pode se virar, por favor!

Nada na aurícula,
nada no ventrículo.
Sístole e diástole.
-Um sopro!
Mas tudo OK.

-Acabou.

Vou sair desta sala,
e procurar naquela mala
o poema que descrevia um coração.
Vou copiá-lo perfeito
Vou pregá-lo no peito
neste lado, o direito.
O da mediciana foi uma decepção.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Quereres


Quero quero
a coisa linda
uma camisa de só linha
cobrir agora o corpo nu.

Quero quero
ver Veneza
e comer em sua mesa
desgustar outra beleza
Guerra Peixe ou Choppin.

Quero quero
ter emprego
gastar todo meu dinheiro
consumação de viver.

Quero Quero
olhos seus no escuro
e o meu nome lá no muro
lamentações brasileiras.

Quero-quero
e bem-te-vi
beijar-a-flor
no azulão
daquela pétala.

Quero quero
só querer
nova vida
em um bebê.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Vai surgir



Não acabou...
este é só o começo.
Uma linha, um poema, um soneto.
Nada mais leve que a felicidade
que voa sem rumo caindo num quintal.
Despedaçada por um cão.
E no chão gelado, o broto espera
por um raio de alegria,
por um pingo de sorriso.
E agonizo, olhando o céu cinza
nesta quarta-feira pós-carnaval.
Canavial manda um som doce-forte,
cortante e embriaga minha tristeza.
Pois, amanhã é quinta; o contentamento vai surgir.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Um gesto


Palma estendida em praia,
verdes ramos a beira mar.
Palma branca em riste
oscila um gesto embargado, triste,
em nave. MARejados olhos
azuis como o céu, estrada de ar.

Bocas, pela força da distância, separadas.
Desejo rever os olhos anuviados,
avoados que nadaram, andaram além.

Ontem sonhei com teus braços estendidos.
Caminhos de ferro que levam a teu seio.
Vale entre montes distantes.
- Acordei.

Teu retrato na gaveta,
teu vestido na maleta.
Um nó no pescoço.
- A gravata?
- Não.
A voz não sai,
só o gesto vai
dizer Adeus.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Democracia racial


“Hillary Clinton manifestou apoio integral ao senador Barack Obama na corrida presidencial dos Estados Unidos neste sábado. Em discurso em Washington, no National Building Museum, ela foi ovacionada e agradeceu muito aos seus partidários pela confiança durante a campanha à nomeação democrata.”


Agora o candidato Democrata à presidência dos EUA é realmente Barack Hussein Obama Júnior, um homem negro, de família africana, islâmica, do Quênia. Ele um orador de mão cheia daqueles que conquistam com poucas palavras os corações e mentes dos populares, sua esposa Michelle Obama, também negra e advogada.
Um casal de negros rumo ao poder máximo da maior democracia do continente americano. Quem diria!!! Justamente os EUA famoso por seus filmes de catástrofe nos quais é só o presidente ser uma mulher ou um negro e pumba! O mundo acaba. Quem não lembra de “Impacto profundo”? Morgan Freeman como presidente da América e um meteoro a caminho, meteoro este que acerta primeiro, em cheio, um dos maiores desafetos dos Yankees, a França. A mesma “America” aquela do “dream” onde todos podem alcançar o topo como em New York, New York, a mesma “America” da guerra do Sul escravista contra o norte libertário, a “America” da Ku Klux Klan.
Um exemplo para o multi-étnico e racialmente democrático Brasil?
Segundo alguns sociólogos como Gilberto Freyre não há racismo no Brasil, mas uma democracia racial comprovada pela miscigenação e coroada pelo carnaval. Mas fica a pergunta: Quantos candidatos negros ao cargo de mandatário máximo de nossa República temos ou tivemos? Não estamos no país das cotas para reverter o erro ”histórico” da escravidão monarquista? Pois, é na nossa “democracia” que o líder deve ser macho e branco; condição sine qua non. Mas aparentemente temos uma mudança... as mulheres já foram aceitas no grupo de mandantes; vide Marta Suplicy, Dilma Houssef entre outras. Porém, o índio, o “homem-da-terra” e os negros assistem a “democracia” pela TV, nos intervalos da novela. Como se tudo só acontecesse lá longe em Brasília.
“America” mais uma vez estamos um, dois, muitos passos atrás de você. Mais uma vez as teorias terceiromundistas se mostram falhas e cai o véu do carnaval racial e da convivência pacífica.
“Brasil, mostra a sua cara...” era o tema duma certa novela global, compremos esta idéia, até porque a Democracia é ou não é o governo da maioria?

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Um "Bom" resultado




Zero a zero.
Apenas a suficiente
deficiência de saber
ciente das limitações
que nunca beira o erro.

Empate técnico:
Dois pontos pra mais ou pra menos.
Louça limpa, mas estômago vazio.
E a polícia lá do Rio:
Tráfico um, polícia um.
Cai daqui e cai de lá.

Nada se perde, nada se cria
TUDO se deforma
em massa sem cheiro
pasteurizada, levedada,
pois, tudo que é sólido é feito de ar.

Medíocres do mundo uní-vos!
Contra tudo que brilha.
Contra tudo que é vida.
Contra glória e vitória.
Afinal, o empate é um bom resultado...