segunda-feira, 28 de maio de 2007

Manifesto Poerrista

Pessoas de bem (e as de mal também), acordem, levantem-se!
Acordem, levantem-se, mas não se esqueçam de escovar os dentes, para defender o indefensável, o intangível, o idílico, o humano demasiado humano (mais que em Nietzche!) direito inalienável concedido pelas divindades do acaso e d’ocaso, o direto de Ser gente de Estar gente, o direito de ERRAR.
Errar é enganar, seja reflexivamente seja ativamente.
Errar é injuriar as estruturas cartesianas, tibetanas, presbiterianas, limpas e uniformes da criação artística e da vida.
Errar é, ao contrário do que diz o dicionário, pensar e fazer algo sem ter culpa (psicopatia?).
Errar é deixar de aceitar o socialmente imposto como certo como verdade.
Errar é possível até caminhando sem rumo!
Mas acima de tudo Errar é difundir, é espalhar. Espalhar como quem semeia, as estruturas formadas a partir do óvulo fecundado das idéias e artes que virão. Difundir o ideiossomo [1] da verdadeira revolução pessoal, social, o ideiossomo de ver mundo com outros olhos, os olhos dos democratas vencidos que sonham em ser ditadores “demo-cráticos”[2].
And you may Ask: (E você pode perguntar:) [3] Para que isso?

Você, caro, pobre, leitor, se lembra o porque Adão foi convidado a se retirar do paraíso?
Prepare-se para um choque, sente-se, respire e leia a linha abaixo...





ELE ERROU!



É isso aí, o ERRO é isso aí [4]. Mais que uma mancada, mais que uma insubordinação, o ERRO é o germe da criação Humana! O ERRO é tudo de bom, e de mal também, pois se não fosse por ele não estaríamos aqui, escrevendo em computadores, nem sendo escritores, engenheiros, médicos, advogados, pedreiros, balconistas, surfistas de trem, ladrões, corruptos e nem teríamos o prazer de rir dos nosso ERROS e dos outros, isto é, não haveria palhaços!
O ERRO é o antônimo da falta de imaginação, lógica e racional!
O ERRO nos faz avançar (dois passos pra frente, um passo pra trás, até porque correr cansa)! E esse negócio de correr cansa tanto que até Deus depois do pau em que criou tudo do nada (que loucura!) teve que dar um break, uma pausa, pra respirar, pra tomar uma água com gás, esticar as canelas e dizer: “Isso aqui que eu que criei, é bom, mas vai dar...... um..... tra-ba-lho!”
Ele em sua Divina Sapiência, num daqueles dias entre o céu e a terra, teve a Divina idéia de criar um ser criador como ele, só que um criador que cria através do ERRO!
Agora você pergunta: Cria pelo ERRO?
Eu respondo: é isso mesmo, cria pelo ERRO, explico-me:

Já erramos quando nascemos!

Como?

Somos prematuros, não andamos, nem falamos, nem muito menos temos o mínimo pra nos defender, dentes! Logo, esta situação de dependência visceral não está correta. E assim, criou-se a fralda, o talco, a mamadeira e a insônia.
Quando estamos maiores, precisamos desesperadamente de referências externas para sermos “Gente” e ser gente significa estar inserido num contexto criado por outros homens (aqueles que vieram antes de nós geralmente) pelo simples fato de haver um lapso (forma branda de dizer ERRO) na criação Divina, isto é, não temos habitat natural!

Então, criamos a Cultura!

Sim senhor, pode estudar a fundo e você verá que o ERRO é que cria a cultura, não um ERRO pensado e intencional, mas o ERRO ORIGINAL[5] de não ter as capacidades que os nossos, outrora, colegas de natureza têm de se ajeitarem somente com as qualidades que nasceram.

Bem, agora que o ERRO está devidamente mensurado, definido e louvado como motor psico-sócio-cultural-econômico-sexual da criatividade humana, podemos passar para a próxima etapa.

O ERRO como fonte de inspiração artística

Ficando o escrito por não dito [6], agora a arte.

A arte é uma compulsão humana, mais uma forma de corrigirmos o erro original da falta de uma “estética humana” ou um toque humano na natureza. Porém, a partir do momento que parimos uma “obra” estética ou artística (como desejar) rompemos com a natureza e entramos no domínio obscuro como túnel de Metrô da cultura.
Enrolação à parte, devemos, e podemos, dar continuidade à mudança, à equivocação artística iniciada por nossos ancestrais que heroicamente puseram sob a guilhotina os padrões anteriores, ou simplesmente adotaram padrões mais antigos só pra contrariar. Deixamos, desde já, claro que não temos a intenção de quebrar, nem de criticar (para o mal), nem de menosprezar nossos comuns (escritores e poetas) em seu Sacro-Santo-Luso-Brasileiro ofício de arte. Nossa proposta é outra.


POERRISMO é uma proposta de quebra com os motivos, com o objetivo da arte de escrever.
Explico-me: Os românticos quebraram com as fórmulas Neo-clássicas, porém continuaram a utilizar-se de seu instrumental (Sonetos, romances, silabas poéticas, etc...). Eles introduziram o “Eu lírico”, os motivos subjetivos, um salto pra dentro com o Spleen entre outras coisas belas e válidas que nortearam a poesia em língua portuguesa há tanto tempo e ainda são as referências do conceito popular de poesia.

O movimento moderno, por sua vez baseou-se na idéia de que as formas "tradicionais" das artes plásticas, literatura, design tornaram-se ultrapassados, e que era fundamental deixá-las de lado e criar em seu lugar uma nova cultura. Assim, os Modernistas rompem com os instrumentos da composição poética e narrativa dos românticos (tradição), mas não com a maioria dos motivos, e experimentaram novos conceitos estéticos de poesia como o Dadaísmo, a Poesia Concreta, a simplificação do discurso moderno entre outras.

Agora, se eles fizeram isso, a pergunta fica no ar: POR QUE NÃO PODEMOS FAZER O MESMO?

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Podemos dar continuidade a esta revolução constante e subterrânea, da estética NOVA, não uma Anti-estética, até porque quem gosta de coisa feia é louco, ou não!?

Podemos nos utilizar das técnicas já criadas (até por que criar novas cansa), mas penso que não devemos imitar os objetivos, isto é criar algo formalmente belo (ou não) e deixá-lo pronto, acabado.

Antes devemos criar obras que instiguem o leitor, que não os faça fugir da realidade, mas retornar a ela de forma poética, artística, como um salto de pára-quedas que nada mais é que uma queda controlada geradora de prazer e reflexão. Criar com inspiração nos erros diários, pequenos e grandes, que nos levam ou levaram à realidade em que vivemos hoje. Como foi o caso da distorção do som de guitarra, que nada mais foi que um erro criador de uma nova estética no rock a qual pode gerar o Punk, o Heavy Metal, e pode até entrar como complemento de outros estilos deste gênero de música.

Agora me diga valeu a pena?

Claro que valeu!

Este é um entre muitos erros ou enganos artísticos, científicos e técnicos que acabaram fazendo parte de nossas vidas.

Defendemos a exposição artística destes erros, sejam eles quais forem. E se possível, até contrariar voluntariamente as formas de expressão e seus estilos para criar uma obra artística nova, uma obra artística que seja condizente com estes tempos de mudança rápida, de individualismo e de excesso de informações onde tudo muda a cada segundo.

Criar textos e poesias diferentes, que tenham seu sentido artístico dado na mente do leitor...

É isso mesmo! Obras abertas, como programas de computador de código aberto. Por que não?
Se seu humor está bom você poderá interpretar agradavelmente um texto, se você estiver de mau humor você poderá ver este mesmo texto com outros olhos, não tão generosos. Isso pode ser conseguido através de “n” recursos como: inversões, ambigüidades, assonâncias, rupturas, e outros recursos muito bem catalogados desde a Antigüidade.

POERRISMO é atualidade, é o sempre novo! Vai que a coisa pega!

É por isso que afirmamos que não desejamos mal aos colegas e nem às formas, por que cada um é livre pra errar da maneira que acha melhor. E se com seu erro ele ganha a vida, ou a perde é problema dele!

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POERRISMO, para exaltar a raiz de toda criatividade, para proibir a assepsia do politicamente, do artisticamente, “n”mente correto, que reduz o Ser Humano à virgindade estéril da máquina infalível que tira sua Humanidade, até porque:


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ERAR É UMANO![7]

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[1] Cromossomo dominante da implacável determinação de pensar.
[2] Governo Infernalmente dirigido, não pelo capeta, mas por alguém com sua procuração para ser pior que ele.
[3] É assim mesmo, inverso mesmo, o estrangeiro primeiro e o nacional depois... Não é assim que escolhemos as coisas que compramos? Pois é, porque não acabar com a hipocrisia?
[4] Plágio descarado de um dístico publicitário em promoção da Coca-cola®.
[5] Não sou genial, confesso. Assim na minha pouca e parca imaginação, tomei emprestado e depois perverti a sacra (do osso da coluna?) idéia de PECADO ORIGINAL que nós ocidentais e sociedades a fins tão bem conhecemos e teimamos em acreditar.
[6] Citei, e modifiquei segundo minha, e só minha, necessidade a frase de J.G. Rosa no conto Se Eu seria personagem, In Tutaméia (Terceiras Estórias)
[7] (Errar é humano). Sapientíssimo adágio popular que confirma nossa tese de que o erro é inerente ao Ser Humano.

Um comentário:

vanessa disse...

esse serei sincera... lerei depois
é mto grande
e eu to com sono

pra não dizer q é mto grande e to com dor de cabeça

huahuahuuha