quarta-feira, 6 de junho de 2007

Eloqüente


"A condição soberana do saber é o silêncio"
"Kalila o Damna"
Ibn Muqaffa
Tradutor persa, [721-757]
Acordes dos motores ligados,
Tinir de ferros, balbucear de bebê,
Turbilhão de ar de um jato,
Canção ao longe, e mui longe...
O sussurar de um monge
Onde imprecações se misturam
Aos sons de simples e suaves Salmos.

Rangido do cooler do PC.
Nossa música toca eu e você.
De longe o apito do trem,
Perto o muxoxo do desdém

Vozes falam, falam sem cessar.
Pessoas não comunicam só falam
Palvras sonoras, canoras que navegam
Ar a fora e penetram orelha a dentro.
Rodopiam nas voltas do encéfalo,
Dão curto em neurônios incertos.
E Presto, saem da mesma forma que [entraram.

Laudate eum in psalterio et cithara,
in tympano et choro,
in chordis et organo,
in cymbalis benesonantibus.
[i]

Verta em palavras tua alma.
Converta em sons teus pensamentos.
Inverta a sonoridade das sílabas.
Perverta a sintaxe da melodia.
Inventa versos sem sentido,
Sentido sem verso, sem alma
Sem cor, sem som.

Ouça o silêncio!
Assunta sua mensagem.
Descubra no meio da turba,
No turbilhão de espectros
Que na turbidez insalubre do silêncio
há uma lição:

"Ao fim, estaremos todos envolvidos
na implacável espiral do silêncio."
___________________________________
[i] “Louvai-o com o saltério e a cítara,
Com tímbales e em coro,
Com instrumentos de corda e órgão,
Com címbalos sonoros”
Psalmus CL, Nova Vulgata.


Um comentário:

vanessa disse...

curti isso

enfim... mudando de assunto
vc não entra mais no msn???

bom... acabei meus comentários por atacado =D

bjos pra vc guri